{"id":16799,"date":"2020-11-11T23:14:31","date_gmt":"2020-11-12T02:14:31","guid":{"rendered":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/?p=16799"},"modified":"2020-11-11T23:16:54","modified_gmt":"2020-11-12T02:16:54","slug":"genero-e-domesticidades-em-representacoes-midiaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/16799\/","title":{"rendered":"G\u00eanero e domesticidades em representa\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Marin\u00eas Ribeiro dos Santos, Ana Caroline de Bassi Padilha, Pamela Bostelmann, Lindsay Jemima Cresto, Cl\u00e1udia Regina Hazegawa Zacar<\/h3>\n\n\n\n<p>O momento que estamos vivendo, configurado pela pandemia da Covid-19, tem colocado em quest\u00e3o os sentidos convencionalmente atribu\u00eddos ao espa\u00e7o dom\u00e9stico. Com a intensifica\u00e7\u00e3o dos trabalhos de cuidado atribu\u00eddos \u00e0s mulheres, o aumento da viol\u00eancia dom\u00e9stica e a impossibilidade de afastamento social para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, a no\u00e7\u00e3o da casa como espa\u00e7o de ref\u00fagio e descanso n\u00e3o se sustenta mais. Al\u00e9m disso, a incorpora\u00e7\u00e3o do trabalho remunerado \u00e0 rotina do lar nos segmentos sociais mais privilegiados tamb\u00e9m perturbou os limites estabelecidos entre esferas p\u00fablica e privada. Em di\u00e1logo com esse panorama, a proposta desta mesa tem como foco a discuss\u00e3o de vis\u00f5es normativas sobre o ambiente dom\u00e9stico, interrogando a sua rela\u00e7\u00e3o com clivagens de g\u00eanero, sexualidade, ra\u00e7a e classe social. Ganham relevo abordagens hist\u00f3ricas comprometidas com a problematiza\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es culturais hegem\u00f4nicas produzidas pelas m\u00eddias de grande circula\u00e7\u00e3o, tais como revistas ilustradas, cat\u00e1logos de exposi\u00e7\u00f5es, imagens publicit\u00e1rias e blogs de decora\u00e7\u00e3o. Interessa colocar em perspectiva estrat\u00e9gias discursivas e materiais que constituem e sustentam a naturaliza\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7as como desigualdades, abordando o seu envolvimento n\u00e3o apenas na produ\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os dom\u00e9sticos, mas tamb\u00e9m dos pr\u00f3prios sujeitos que os habitam.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumos das comunica\u00e7\u00f5es:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1. <strong>Tecnologias do lar e feminilidades normativas na revista Casa &amp; Jardim entre os anos 1950 e 1960<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esta comunica\u00e7\u00e3o objetiva refletir sobre a constru\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es de feminilidades associadas ao uso de tecnologias do lar na revista Casa &amp; Jardim. Para tanto s\u00e3o analisadas estrat\u00e9gias textuais e imag\u00e9ticas presentes em reportagens e an\u00fancios publicit\u00e1rios veiculados no peri\u00f3dico entre as d\u00e9cadas de 1950 e 1960. Nesse per\u00edodo, as revistas direcionadas para p\u00fablicos femininos buscavam criar uma identifica\u00e7\u00e3o entre as mulheres e as pr\u00e1ticas de consumo dom\u00e9stico, apresentando as tecnologias do lar, especialmente os eletrodom\u00e9sticos, como recursos capazes de facilitar as tarefas di\u00e1rias. Contudo, em paralelo, os padr\u00f5es de limpeza, organiza\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o do lar tamb\u00e9m tornaram-se significativamente mais exigentes. Entre os tipos de feminilidades associadas ao uso de eletrodom\u00e9sticos estavam as figuras da \u201crainha do lar\u201d, da \u201ccozinheira prendada\u201d e da \u201cdona de casa eficiente\u201d. Operando como pedagogias de g\u00eanero, tais figuras desempenhavam um papel importante na constru\u00e7\u00e3o de feminilidades normativas articuladas \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de um estilo de vida moderno ligado ao modelo de fam\u00edlia nuclear heterossexual, branca e de classe m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>2.<strong> O corpo feminino como parte da paisagem dom\u00e9stica: articula\u00e7\u00f5es entre vestu\u00e1rio e decora\u00e7\u00e3o em revistas ilustradas nos anos 1960<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumo: <\/strong>Tendo como premissa a clivagem de g\u00eanero que marca a organiza\u00e7\u00e3o da vida social em esferas p\u00fablica e privada, a abordagem aqui proposta objetiva problematizar a associa\u00e7\u00e3o historicamente constru\u00edda entre o corpo das mulheres e o espa\u00e7o dom\u00e9stico. Para tanto, dou destaque a representa\u00e7\u00f5es que articulam semelhan\u00e7as entre vestu\u00e1rio e decora\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gia para incorporar a presen\u00e7a feminina \u00e0 materialidade da casa. A discuss\u00e3o est\u00e1 apoiada em imagens veiculadas em revistas ilustradas brasileiras durante os anos 1960, com destaque para uma reportagem publicada em dezembro de 1969 no t\u00edtulo <em>Decora\u00e7\u00e3o Claudia<\/em>. Voltada para a divulga\u00e7\u00e3o de produtos dispon\u00edveis no mercado nacional, tal reportagem apresenta quatro reprodu\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas onde figuras femininas posam trajando roupas confeccionadas com os mesmos tecidos usados no revestimento dos m\u00f3veis que est\u00e3o sendo promovidos. A presen\u00e7a das modelos \u2013 elas s\u00e3o brancas, magras e jovens \u2013 cumpre uma fun\u00e7\u00e3o \u201cdecorativa\u201d nos ambientes, reverberando o efeito esperado das pe\u00e7as de mobili\u00e1rio propriamente ditas. A partir da discuss\u00e3o dessas imagens, pretendo abordar o desempenho das representa\u00e7\u00f5es veiculadas nas m\u00eddias impressas como tecnologias de g\u00eanero. Quero argumentar que a constru\u00e7\u00e3o do corpo feminino como parte da paisagem dom\u00e9stica opera na naturaliza\u00e7\u00e3o da esfera privada como algo que concerne \u00e0s mulheres. Nesse processo, pr\u00e1ticas relacionadas aos cuidados e embelezamento do corpo e do lar se fundem \u00e0 no\u00e7\u00e3o de feminilidade. Entre outros efeitos, isso implica a configura\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es de g\u00eanero normativas, al\u00e9m de contribuir para a manuten\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o desigual do trabalho dom\u00e9stico.<\/p>\n\n\n\n<p>3. <strong>Representa\u00e7\u00f5es da \u201cmulher do futuro\u201d nos peri\u00f3dicos brasileiros: cultura material como tecnologia de g\u00eanero.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O imagin\u00e1rio mobilizado pela corrida espacial no per\u00edodo p\u00f3s-guerra inspirou uma vasta iconografia que ajudou a compor as materialidades cotidianas durante as d\u00e9cadas de 1960 e 70. Em di\u00e1logo com a revolu\u00e7\u00e3o comportamental em curso e com os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos da \u00e9poca, essa iconografia tornou-se uma importante fonte de inspira\u00e7\u00e3o em diversos campos da produ\u00e7\u00e3o cultural. Tendo este cen\u00e1rio em vista, me proponho a discutir a articula\u00e7\u00e3o entre produ\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 linguagem espacial na decora\u00e7\u00e3o de interiores e no vestu\u00e1rio a partir de publica\u00e7\u00f5es veiculadas em revistas ilustradas voltadas para p\u00fablicos femininos. Essas revistas colocaram em circula\u00e7\u00e3o uma s\u00e9rie de recursos textuais e imag\u00e9ticos que evidenciam aspectos do comportamento social da \u00e9poca, servindo como base para a investiga\u00e7\u00e3o de novas representa\u00e7\u00f5es de feminilidades que surgiram naquele per\u00edodo. Com a argumenta\u00e7\u00e3o aqui defendida, pretendo evidenciar que a materializa\u00e7\u00e3o da linguagem associada ao imagin\u00e1rio espacial pode ser entendida como parte das prescri\u00e7\u00f5es culturais que influenciaram na constru\u00e7\u00e3o e refor\u00e7o de identidades normativas de g\u00eanero, classe e gera\u00e7\u00e3o. Atuando como tecnologias de g\u00eanero mediante a articula\u00e7\u00e3o entre decora\u00e7\u00e3o e vestu\u00e1rio, tais representa\u00e7\u00f5es criavam e refor\u00e7avam vis\u00f5es ligadas \u00e0 no\u00e7\u00e3o de \u201cmulher moderna\u201d. A escolha dos materiais e configura\u00e7\u00e3o das roupas, m\u00f3veis, bem como a pr\u00f3pria composi\u00e7\u00e3o dos interiores dom\u00e9sticos, funcionou como base para a proposi\u00e7\u00e3o de novas pr\u00e1ticas corporais associadas \u00e0 cultura jovem e \u00e0s mudan\u00e7as comportamentais. Com isso, as narrativas presentes nas revistas mobilizavam estrat\u00e9gias que atualizavam discursos sobre o corpo feminino em associa\u00e7\u00e3o com as transforma\u00e7\u00f5es nos modelos de domesticidade.<\/p>\n\n\n\n<p>4. <strong>Cultura material e masculinidades nos interiores do <\/strong><strong><em>blog <\/em><\/strong><strong>de decora\u00e7\u00e3o \u201cDo Edu\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumo:<\/strong> Nessa comunica\u00e7\u00e3o, tenho como objetivo discutir a produ\u00e7\u00e3o de um modo de decorar classificado como masculino, promovido por um blog de decora\u00e7\u00e3o voltado para homens. A pesquisa est\u00e1 centrada nas publica\u00e7\u00f5es do <em>blog Do Edu<\/em> durante o per\u00edodo de 2012 a 2019. Nessas publica\u00e7\u00f5es, a decora\u00e7\u00e3o de interiores dom\u00e9sticos \u00e9 tratada com base em narrativas sobre personaliza\u00e7\u00e3o e pr\u00e1ticas do tipo \u201cfa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u201d. A valoriza\u00e7\u00e3o das masculinidades por meio da decora\u00e7\u00e3o fundamenta-se em abordagens convencionais sobre comportamentos esperados dos homens, sobretudo ligados \u00e0 ideia de \u201ccolocar a m\u00e3o na massa\u201d. Por meio da an\u00e1lise de imagens e textos, enfatizo a import\u00e2ncia da cultura material como recurso para a constru\u00e7\u00e3o de ambientes marcados pelo g\u00eanero. Nesse sentido, entendo o <em>blog Do Edu<\/em> como uma tecnologia de g\u00eanero, que promove interpreta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas sobre masculinidades e feminilidades mediante certas estrat\u00e9gias discursivas e materiais. Com isso, pretendo afirmar a import\u00e2ncia da reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre a participa\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica do design na reprodu\u00e7\u00e3o de desigualdades de g\u00eanero, visando o seu direcionamento para a transforma\u00e7\u00e3o emancipat\u00f3ria de comportamentos e vis\u00f5es de mundo associados ao espa\u00e7o dom\u00e9stico.<\/p>\n\n\n\n<p>5. <strong>A Casa Cor Paran\u00e1 e a no\u00e7\u00e3o de &#8220;lar como ref\u00fagio&#8221;: marca\u00e7\u00f5es de classe e de g\u00eanero em representa\u00e7\u00f5es de interiores dom\u00e9sticos<\/strong><strong>Resumo:<\/strong> A Casa Cor Paran\u00e1 \u00e9 uma mostra brasileira de arquitetura, design e paisagismo que acontece anualmente na cidade de Curitiba, desde 1994. A mostra faz parte do Grupo Casa Cor, respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o de eventos similares em outras 21 cidades no Brasil e 6 localidades em outros pa\u00edses americanos. Ao longo de suas 26 edi\u00e7\u00f5es, a Casa Cor Paran\u00e1 j\u00e1 exibiu mais de 1.200 ambientes, desenvolvidos por mais de 750 projetistas locais. Fotografias e textos relativos aos ambientes expostos t\u00eam sido veiculados em diferentes m\u00eddias, tais como a revista anualmente editada pela organiza\u00e7\u00e3o da mostra, o website a Casa Cor, redes sociais como Facebook e Instagram, e ainda peri\u00f3dicos, portais e blogs relacionados \u00e0 decora\u00e7\u00e3o de interiores. Por meio dos discursos textuais e imag\u00e9ticos em circula\u00e7\u00e3o, nota-se que a mostra tem, ao longo de sua trajet\u00f3ria, constitu\u00eddo um ideal de &#8220;lar como ref\u00fagio&#8221;. Trata-se de uma no\u00e7\u00e3o que remonta \u00e0 difus\u00e3o da met\u00e1fora das esferas separadas (p\u00fablico\/privado), que se deu com a intensifica\u00e7\u00e3o dos processos de industrializa\u00e7\u00e3o e que caracterizou a configura\u00e7\u00e3o dos interiores dom\u00e9sticos burgueses novecentistas. No contexto do Brasil recente, pretende-se nesta comunica\u00e7\u00e3o discutir como tem sido (re)produzido e atualizado esse ideal de &#8220;lar como ref\u00fagio&#8221;, a partir da an\u00e1lise de fotografias e textos relativos a ambientes exibidos na Casa Cor Paran\u00e1 nos \u00faltimos dez anos. Classe e g\u00eanero s\u00e3o assumidas como categorias centrais para a discuss\u00e3o, no intuito de explicitar como a no\u00e7\u00e3o de &#8220;lar como ref\u00fagio&#8221; se constitui em articula\u00e7\u00e3o com significados e valores associados \u00e0s masculinidades, bem como a ideais de casa e de fam\u00edlia que contrastam com a realidade de boa parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marin\u00eas Ribeiro dos Santos, Ana Caroline de Bassi Padilha, Pamela Bostelmann, Lindsay Jemima Cresto, Cl\u00e1udia Regina Hazegawa Zacar O momento que estamos vivendo, configurado pela pandemia da Covid-19, tem colocado&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":137,"featured_media":16785,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[158,168,1],"tags":[],"class_list":["post-16799","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-gt-2","category-live-15","category-resumos"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2020\/11\/GT2.png?fit=600%2C600&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16799","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/users\/137"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16799"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16799\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16802,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16799\/revisions\/16802"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16799"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16799"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16799"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}