{"id":16783,"date":"2020-11-11T23:02:33","date_gmt":"2020-11-12T02:02:33","guid":{"rendered":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/?p=16783"},"modified":"2020-11-11T23:02:36","modified_gmt":"2020-11-12T02:02:36","slug":"reflexoes-sobre-quilombismo-e-politicas-de-cabelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/16783\/","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es sobre quilombismo e pol\u00edticas de cabelo"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Julio Cesar S\u00e1 da Rocha, Maria da Gra\u00e7a Malheiros Silva, Jade Lorena Santos Andrade, Aline Vilena Teles dos Santos, Gine Alberta Ramos Andrade Kinjyo<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Interdisciplinariedade em Grada Kilomba e Abdias &#8211; <\/strong>Julio Cesar S\u00e1 da Rocha<\/p>\n\n\n\n<p>O Quilombismo de Abdias Nascimento, que teve sua primeira edi\u00e7\u00e3o em 1980, \u00e9 obra de reflex\u00e3o cr\u00edtica que versa sobre as pr\u00e1ticas racistas no Brasil e a situa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra. O livro estrutura-se em dez ensaios denominados Documentos, sendo que o primeiro Documento &#8220;Mistura ou Massacre?&#8221; se debru\u00e7a sobre o racismo \u00e0 brasileira e a an\u00e1lise comparativa com aquele da \u00c1frica do Sul e EUA. O cap\u00edtulo aprofunda a an\u00e1lise sobre o massacre e genoc\u00eddio do negro. A obra do intelectual e pol\u00edtico Abdias Nascimento continua extremamente atual diante da realidade da necropol\u00edtica dos tempos atuais,\u00a0com utiliza\u00e7\u00e3o da categoria do Professor Achillie Membe e que Abdias traduzia como etnoc\u00eddio cometido pelo Estado brasileiro. Enfim, O Quilombismo \u00e9 obra de vanguarda e que precisa ser conhecida, debatida e colocada em pr\u00e1tica nos diversos campos do conhecimento, com influ\u00eancia nas culturas. Ademais, a comunica\u00e7\u00e3o de O quilombismo com Mem\u00f3rias da Planta\u00e7\u00e3o de Grada Kilomba permite e leva \u00e0 reflex\u00f5es multidisicplinares e imbricadas sobre o Racismo e a decoloniza\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pol\u00edticas do Cabelo<\/strong> &#8211; Maria da Gra\u00e7a Malheiros Silva, Gine Alberta Ramos Andrade Kinjyo e Aline Vilena Teles dos Santos&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cap\u00edtulo, assim como em todo o livro sob o t\u00edtulo Mem\u00f3rias da Planta\u00e7\u00e3o -Epis\u00f3dio de Racismo Cotidiano, Grada Kilomba, de origem portuguesa com ascend\u00eancia em Santo Tom\u00e9 \u2013 Angola, faz uma abordagem com embasamento da psicologia, psican\u00e1lise e da teoria feminista. Grada relata a sua experi\u00eancia e sua pesquisa de doutorado mostrando o racismo, atrav\u00e9s dos relatos feitos nas entrevistas por ela realizadas com duas mulheres negras, uma afro-alem\u00e3 e uma afro americana que vive na Alemanha. Grada coloca em sua obra as rea\u00e7\u00f5es e sentimentos dessas mulheres ao sofrerem racismo cotidiano. Traremos \u00e0 baila, a mem\u00f3ria e a hist\u00f3ria do cap\u00edtulo 6 do livro, intitulado \u201cPol\u00edticas do Cabelo\u201d, no qual Grada trata acerca do respeito e da invas\u00e3o do corpo negro, atrav\u00e9s do cabelo negro. A autora argumenta que o cabelo \u00e9 mais importante do ponto de vista da domina\u00e7\u00e3o do que o corpo.&nbsp; Ela exp\u00f5e, atrav\u00e9s das entrevistadas e de sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, o porqu\u00ea da n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o desse sinal que \u00e9 o cabelo crespo e sobre o que o cabelo negro representa na sociedade. O toque do cabelo sem permiss\u00e3o representa uma invas\u00e3o \u00e0 intimidade e \u00e0 pessoa em si, esse tocar o cabelo faz o sujeito negro se sentir diferente porque sempre surgem perguntas sobre a forma de lavar o cabelo, o tom ir\u00f4nico ao sentir a maciez pois h\u00e1 sempre uma forma pejorativa ao perguntar. Grada explana de forma brilhante sobre a constru\u00e7\u00e3o do que \u00e9 o cabelo bom (tipo como o da pessoa branca) e do que seria o cabelo ruim (tipo como a da pessoa negra), sendo importante registrar que o ato do toque \u00e9 invasivo porque <strong>o cabelo est\u00e1 associado ao controle do branco sobre o negro<\/strong>.&nbsp; O cabelo \u00e9 mais importante do que a cor da pele, vez ser um sinal de negritude, e o sujeito branco usa isso para oprimir, inferiorizar, diminuir a autoestima da pessoa negra, e ter o controle sobre o corpo negro. O cabelo dito ruim, pelo sujeito branco, \u00e9 visto e se revela como um sinal de inferioridade e da n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o social do fen\u00f3tipo negro. As perguntas que s\u00e3o feitas \u00e0s mulheres negras, acerca de como elas lavam seus cabelos e se os penteiam s\u00e3o claros recortes de verdadeiros racismos cotidianos. Grada sugere que o sujeito branco tem por pr\u00e1tica alinhar a imagem do sujeito negro como sujo, selvagem, a partir do cabelo que \u00e9 visto como cabelo ruim, de um ser inferior. Pontua a autora que o sujeito branco, ao fazer elogios em tom ir\u00f4nico, desdenha quando diz: seu cabelo \u00e9 sedoso! No pensar do sujeito branco, um cabelo negro jamais poderia ser sedoso porque o cabelo negro \u00e9 considerado inferior e feio. Grada faz reflex\u00f5es intensas ao dizer que o cabelo acaba se tornando uma refer\u00eancia fundamental da consci\u00eancia pol\u00edtica, entre os africanos(as) especialmente na di\u00e1spora. Ela traz uma s\u00e9rie de embasamentos da psican\u00e1lise e da teoria feminista, e faz uma an\u00e1lise desse corpo negro na sociedade e dos efeitos ps\u00edquicos do racismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Quilombismo<\/strong> &#8211; Jade Lorena Santos Andrade<\/p>\n\n\n\n<p>O presente resumo visa apresentar o pensamento de <strong>Abdias do Nascimento<\/strong> ao evidenciar o car\u00e1ter libert\u00e1rio e revolucion\u00e1rio do projeto de Estado Nacional Quilombista. No seu livro <strong>O quilombismo,<\/strong> mais precisamente no Cap\u00edtulo 07, que leva o mesmo nome, Abdias resgata a heran\u00e7a negra africana, no qual indaga a aus\u00eancia proposital da mem\u00f3ria positiva da \u00c1frica para os descendentes dos povos em maafa (ANI,xx). Essa \u00e9 apagada ou embranquecida a fim de que se esconda o legado de civiliza\u00e7\u00f5es negras como o Egito, fundamentais, por exemplo, para a mat\u00e9matica e astronomia. O povo preto vive um verdadeiro estado de terror, com tentativas de aniquila\u00e7\u00e3o cotidianas, assim, esse Estado se torna naturalmente ileg\u00edtimo, porque consolida a cristaliza\u00e7\u00e3o dos interesses exclusivos de uma elite que aspira atingir o status \u00e1rio-europeu em est\u00e9tica racial, em padr\u00e3o de cultura e civiliza\u00e7\u00e3o. Escondendo pela fal\u00e1cia da \u201cdemocracia racial\u201d os seus privil\u00e9gios tanto de classe e fundamentalmente da brancura em um sistema formado para isso. Um exemplo enegrecido disso \u00e9 o Atlas de Viol\u00eancia 2020, que retrata que em 2018, os negros representaram 75,7% das v\u00edtimas de assasinato. Al\u00e9m disso, em dez anos, esse n\u00famero de assasinatos aumenta com o passar do tempo (11,5%), em contrapartida, quando se trata de n\u00e3o negros, o mesmo diminui (12,9%). Por isso, Abdias prop\u00f5em o projeto pol\u00edtico de Estado quilombista, visto que \u00e9 evidente que a estrutura e os componentes do sistema se sustentam no genoc\u00eddio negro. Ele busca assim, a autodefini\u00e7\u00e3o desse povo, inspirada na experi\u00eancia revolucion\u00e1ria dos quilombos provenientes do comunitarismo ou ujaama\u00edsmo da tradi\u00e7\u00e3o africana, a fim de construir uma democracia verdadeira, pois com racismo n\u00e3o h\u00e1 democracia. Esse programa de a\u00e7\u00e3o conversa com a atua\u00e7\u00e3o de Abdias enquanto senador, na inclus\u00e3o da ra\u00e7a nos futuros censos, na localiza\u00e7\u00e3o de documentos que retratam a rela\u00e7\u00e3o entre escravizados e seus descendentes e na verdadeira inser\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra no mercado de trabalho, como no projeto de lei n.1332, de 1983. Al\u00e9m do dial\u00f3go com os projetos pan-africanistas, tem-se o ensino de Yorub\u00e1 e Swahili nas escolas; a amizade com a \u00c1frica independente; e um projeto de autonomia que acredite numa economia de base comunit\u00e1ria-cooperativista no setor da produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e da divis\u00e3o dos resultados do trabalho coletivo. Assim, \u00e9 resgatada a mem\u00f3ria coletiva negra, dando voltas contr\u00e1rias na \u00e1rvore do esquecimento, reafirmando o legado do povo negro, em um encontro consigo mesmo. A fim de resgatar e investigar outros projetos de sociedade que tenham como eixo a verdadeira liberdade dos povos, sobretudo, o povo preto e ind\u00edgena, um projeto de passado para \u201csulear\u201d esse futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julio Cesar S\u00e1 da Rocha, Maria da Gra\u00e7a Malheiros Silva, Jade Lorena Santos Andrade, Aline Vilena Teles dos Santos, Gine Alberta Ramos Andrade Kinjyo Interdisciplinariedade em Grada Kilomba e Abdias&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":137,"featured_media":16785,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[158,166,1],"tags":[],"class_list":["post-16783","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-gt-2","category-live-3","category-resumos"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2020\/11\/GT2.png?fit=600%2C600&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16783","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/users\/137"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16783"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16783\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16786,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16783\/revisions\/16786"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16783"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16783"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16783"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}