{"id":16769,"date":"2020-11-11T22:38:48","date_gmt":"2020-11-12T01:38:48","guid":{"rendered":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/?p=16769"},"modified":"2020-11-11T22:54:45","modified_gmt":"2020-11-12T01:54:45","slug":"interfaces-e-comunicacoes-sociais-o-conhecimento-decolonial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/16769\/","title":{"rendered":"Interfaces e Comunica\u00e7\u00f5es sociais: o conhecimento decolonial"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Julio Cesar de S\u00e1 da Rocha, La\u00eds Fonseca do Carmo, Gerson Concei\u00e7\u00e3o Cardoso J\u00fanior, Jeferson Brand\u00e3o Bomfim, Rebeca de Souza Vieira<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>A palavra e o Trauma <\/strong>&#8211; Gerson Concei\u00e7\u00e3o Cardoso J\u00fanior<\/p>\n\n\n\n<p>Neste trabalho, o expositor abordar\u00e1 o cap\u00edtulo 9 de Grada Kilomba \u201cA palavra N. e o Trauma\u201d, refletindo como o racismo se materializa atrav\u00e9s de um jogo de palavras e discursos de dif\u00edcil percep\u00e7\u00e3o, carregando verdadeiras viol\u00eancias simb\u00f3licas e reproduzindo cenas do colonialismo.&nbsp; Registrar\u00e1 que a autora traz o racismo compreendido coletivamente na perspectiva da opress\u00e3o social, brutalidade e dor. A partir das li\u00e7\u00f5es de Grada, o expositor apresentar\u00e1 como os negros s\u00e3o representados no imagin\u00e1rio social dos brancos, destacando que a mulher negra sofre as maiores vulnerabilidades na sociedade. Neste momento, ser\u00e1 feito um resgate do nosso processo de coloniza\u00e7\u00e3o para exibir o motivo pelo qual, por exemplo, \u00e9 atribu\u00eddo ao negro o esteri\u00f3tipo do infrator em potencial. Refletir-se-\u00e1 a maneira como atos racistas s\u00e3o encenados no dia a dia da sociedade, colocando a pessoa negra em situa\u00e7\u00e3o de subalternidade. Destacar\u00e1 como os corpos negros s\u00e3o objetos de desejo da branquitude que, ao mesmo tempo, busca destru\u00ed-los. Trar\u00e1 que o sujeito negro acaba sendo reduzido \u00e0 fisicalidade, sendo seus corpos percebidos apenas em determinadas profiss\u00f5es. Frisar\u00e1 como o racismo, por meio das palavras e atos, deixa dores e traumas \u00e0s vitimas. O expositor, neste ensejo, discorrer\u00e1 como o processo de constru\u00e7\u00e3o da subjetividade negra \u00e9 dificultoso e dolorido numa sociedade racista, classista, elitista, sexista e homof\u00f3bica.&nbsp; Outrossim, ressaltar\u00e1 que o racismo acaba gerando reflexos no corpo da pessoa ofendida. Mostrar\u00e1 como o racismo se opera de forma sutil, sofisticada, estrat\u00e9gica, numa sociedade que hierarquiza rela\u00e7\u00f5es e categoriza pessoas, mantendo integrantes de grupos raciais minorit\u00e1rios em posi\u00e7\u00f5es de subalternidades. Retrar\u00e1 como o racismo poder\u00e1 ser compreendido na perspectiva de teatraliza\u00e7\u00e3o, segundo Grada, exemplificando como cenas de cunho discriminat\u00f3rio ocorrem no dia a dia. Por fim, far\u00e1 uma reflex\u00e3o entre o racismo materializado por meio de palavras e discursos e produ\u00e7\u00f5es culturais. Percebemos que, na maioria das vezes, h\u00e1 um apagamento da cultura negra em face da manuten\u00e7\u00e3o do pacto narc\u00edsico da branquitude. Nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, ou o negro \u00e9 v\u00edtima reiteradamente de racismo recreativo ou n\u00e3o est\u00e1 em posi\u00e7\u00e3o de destaque, tendo suas respeitabilidades socais reiteradamente violadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quem pode falar na Decoloniza\u00e7\u00e3o do Conhecimento<\/strong>? &#8211; La\u00eds Fonseca do Carmo<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua obra Mem\u00f3rias da Planta\u00e7\u00e3p, Grada apresenta o pensamento de Gayatri C. Spivak (1995) em \u201cPode a subalterna falar?\u201d. Segundo a autora, a quest\u00e3o do silenciamento pode ser vista como uma afirma\u00e7\u00e3o sobre as rela\u00e7\u00f5es coloniais em geral. Assim, Grada demonstra inverter essa pr\u00e1tica a partir de suas aulas e da coloca\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es que naturalmente s\u00e3o respondidas por seus alunos negros e muitas vezes n\u00e3o mencionadas pelos alunos brancos, tendo a partir dessa experi\u00eancia, a percep\u00e7\u00e3o de que o conhecimento est\u00e1 intrinsecamente ligado \u00e0 autoridade racial. Geralmente, as pessoas pretas est\u00e3o acostumadas a serem objeto de estudo e n\u00e3o sujeitos de fala, ou seja, o sujeito que conta a sua hist\u00f3ria a partir de sua viv\u00eancia. Ela, nesse momento, tira da academia o seu mito de neutralidade, por ser um espa\u00e7o majoritariamente branco, e quando o sujeito negro tenta se expor da mesma forma, \u00e9 tido como \u201cmuito espec\u00edfico ou muito subjetivo\u201d. \u00c9 apresentado ent\u00e3o um paralelo entre universal\/espec\u00edfico, objetivo\/subjetivo, neutro\/pessoal. E \u00e9 percept\u00edvel que estes antagonismos det\u00eam uma dimens\u00e3o hier\u00e1rquica que preserva a branquitude e determina quem pode falar e quem tem a legitimidade para isso. Em seguida, ela chama a aten\u00e7\u00e3o para a tarefa de descoloniza\u00e7\u00e3o do pensamento. Essa descoloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para que se considerem outras formas de pensamento que n\u00e3o se enquadrem na ordem euroc\u00eantrica e outras epistemologias. Pois, existe nesse contexto a desvaloriza\u00e7\u00e3o do discurso de intelectuais Negras sistematicamente. H\u00e1 a irracionaliza\u00e7\u00e3o do pensamento das mulheres assim como acontece com a irracionaliza\u00e7\u00e3o do pensamento das pessoas negras dentro da academia pois \u00e9 a din\u00e2mica entre ra\u00e7a, g\u00eanero e poder que define como as pessoas devem ou n\u00e3o se expressar. Kilomba afirma que \u201c<strong>no racismo, corpos negros s\u00e3o constru\u00eddos como corpos impr\u00f3prios, como corpos que est\u00e3o \u201cfora do lugar\u201d e, por essa raz\u00e3o, corpos que n\u00e3o podem pertencer.\u201d <\/strong>Nesse contexto, Grada evoca a necessidade de uma epistemologia que contemple o pessoal e o subjetivo como parte do discurso acad\u00eamico pois as pessoas negras falam de um tempo e lugar espec\u00edficos em que lhe foi permitido falar. Grada nos lembra que a teoria \u00e9 sempre escrita e se torna cl\u00e1ssica a partir do olhar de algu\u00e9m. E a partir do momento que essa escrita parte da realidade de mulheres intelectuais negras, parte tamb\u00e9m da realidade da viv\u00eancia, que transgride a linguagem do academicismo cl\u00e1ssico. Qual \u00e9, portanto, o peso de estar nesse ambiente acad\u00eamico? O quanto isso custa emocionalmente? A autora percebe que apenas somos ouvidos se nos enquadrarmos em uma linguagem familiar e confort\u00e1vel para o grupo dominante. Por fim, ela apresenta os termos da margem e do centro, trabalhados por Bell Hooks. A margem, para elas, seria n\u00e3o apenas um espa\u00e7o de perda e priva\u00e7\u00e3o, mas um espa\u00e7o de resist\u00eancia e possibilidade onde novos discursos cr\u00edticos s\u00e3o formados. \u00c9 a possibilidade da liberdade, de se tornar sujeito e n\u00e3o apenas objeto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quilombismo, Pol\u00edticas e Arte: um olhar sobre o Brasil no Exterior<\/strong> &#8211; Rebeca de Souza Vieira<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica nacional leva para fora do Brasil um olhar distorcido sobre o povo e os problemas sociais, causados pela falta de assist\u00eancia e inclus\u00e3o, neste caso, do negro brasileiro; Mas esse olhar \u00e9 apenas o reflexo do que ocorreu e ocorre em nosso pa\u00eds, o massacre f\u00edsico, psicol\u00f3gico e cultural do povo negro. O Brasil vende uma imagem de que certos povos sofrem mais as mazelas sociais por conta de quest\u00f5es pr\u00f3prias, por\u00e9m os povos marginalizados carecem de recursos e acabam sendo submetidos a condi\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas prec\u00e1rias; Al\u00e9m dessa vis\u00e3o, a suposta democracia racial brasileira faz o palco para que a pol\u00edtica adote esse discurso de forma mais sutil, criando no imagin\u00e1rio internacional legitimidade que ampare seu discurso. Na Obra Quilombismo de Abdias do Nascimento, \u00e9 apontado esse posicionamento do Estado e seus passeios sobre os aspectos \u00e9tnicos e raciais e os sistemas capitalista e comunista. Assim a proposta aqui \u00e9 trabalhar esse olhar distorcido que o Brasil reflete para o exterior, abordar a pol\u00edtica de embranquecimento e a teia entre essas discuss\u00f5es no tocante ao marxismo e ao comunismo; Toda a an\u00e1lise ser\u00e1 pautada a partir da arte feminina negra nacional que vem sendo produzida e vem servindo de ferramenta como legado hist\u00f3rico para descortinar as farsas que s\u00e3o criadas diante da posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nacional, como a literatura de Maria Carolina de Jesus que ganha notoriedade em 1960, e as contempor\u00e2neas T\u00e1ssia Reis com a m\u00fasica Preta D+ e Elza Soares, com a m\u00fasica O Que Se Cala.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quilombismo e Linguagens<\/strong> &#8211; Jeferson Brand\u00e3o Bomfim&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Partindo da obra de Abdias Nascimento, pode-se inferir acerca da proposta d\u2019O Quilombismo descrita pelo autor, cujo conte\u00fado versa sobre a viabiliza\u00e7\u00e3o de narrativas da hist\u00f3ria do povo negro, as diversas lutas contra o seu silenciamento identit\u00e1rio, e seu consequente apagamento, a partir da an\u00e1lise das din\u00e2micas de n\u00e3o-proje\u00e7\u00e3o de personalidades e aniquilamento de l\u00ednguas cujo adensamento \u00e9tnico era incontest\u00e1vel. Assim, o documento 2 dessa obra contempla elementos de diversos aspectos para rastrear, mapear e analisar as formas diversificadas de opress\u00e3o colonizadora. Deste modo, avalia a n\u00e3o-unidade lingu\u00edstica em territ\u00f3rio africano como um dos fatores que propiciaram ao colonizador \u201cpraticar e praticizar\u201d a fragmenta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o nativa \u00e0 \u00e9poca, e de como hoje o meio acad\u00eamico parte de uma perspectiva euroc\u00eantrica para impor seus letramentos cuja exclud\u00eancia inerente n\u00e3o contempla formas africanistas de conceber e desenvolver o conhecimento. Abdias cita os quilombos como elementos de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica fundamentais no contexto do processo de re-exist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o africana em territ\u00f3rios nativos ou em di\u00e1spora. As revoltas no estado da Bahia e os levantes liderados pela na\u00e7\u00e3o Iorub\u00e1 s\u00e3o indicados como movimentos cuja natureza \u00e9 denotativa de um povo que n\u00e3o acatava de forma passiva os acontecimentos engendrados pela branquitude colonialista. Tais insurrei\u00e7\u00f5es s\u00e3o presentes at\u00e9 hoje em uma negritude que sobrevive nas \u201caus\u00eancias\u201d, transitando em territ\u00f3rios de rebeldia pela sua simples exist\u00eancia. Em seu documento, Abdias cita a hist\u00f3ria do rei africano Chico-Rei escravizado no antigo territ\u00f3rio das Minas Gerais e fala sobre o baiano Luis Gama e do carioca Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julio Cesar de S\u00e1 da Rocha, La\u00eds Fonseca do Carmo, Gerson Concei\u00e7\u00e3o Cardoso J\u00fanior, Jeferson Brand\u00e3o Bomfim, Rebeca de Souza Vieira A palavra e o Trauma &#8211; Gerson Concei\u00e7\u00e3o Cardoso&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":137,"featured_media":16743,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[157,164,1],"tags":[],"class_list":["post-16769","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-gt-1","category-live-12","category-resumos"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2020\/11\/GT1.png?fit=600%2C600&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16769","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/users\/137"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16769"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16769\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16770,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16769\/revisions\/16770"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16743"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16769"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16769"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/culturas.cc\/congresso2020\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16769"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}